sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os contos estão na gaveta

- Estão na gaveta.
Ela mal havia entrado na sala e aquela voz já vinha lhe despertar arrepios. Estava como sempre sentado naquela cadeira de vime, as pernas cruzadas como rei ou boêmio. Mal se via seu rosto, mas sua voz parecia cansada.
- O quê?
- Os contos. Estão na gaveta. Pode pegar, são seus de qualquer modo.
Ela hesitou. Não esperava que fosse assim. Não assim.
- Mas...
- Estão na gaveta, não estão? – o assentimento veio quase involuntário. Eles sempre haviam estado na gaveta. Totalmente letárgicos. Em forma de dicionário. Caminhou até sua velha escrivaninha e abriu a gaveta do meio. Ele olhava apenas.
- Estão aqui. – e por que não estariam?
- Pegue.
Sim, pegue.
- Não precisa acabar desse jeito.
- Eu não posso fazer nada com eles. Com nenhum deles. São seus.
Ela olhou para a pasta fechada. Mortos. Algo pesava em seu peito ao pensar nisso.
- São seus, não hesite. Demoramos tanto para chegar até aqui... – ele ergueu uma mão – não me faça mudar de ideia.
Estremeceu. Por que ele tinha que falar de modo tão cansado e tão rouco? Abriu a pasta, eram sete grandes encadernados e um menorzinho, seu martírio favorito. Foi direto a ele.
- Claro...
- Não fale nada. Não precisa...
- Está nas suas mãos. Como sempre.
Olhou para o texto em tinta clara. Claro. Por que azul à mão? Eram apenas três folhas finas. O que ele poderia querer? Obviamente, ela já sabia. Sempre soubera.
- Somos seus. – ele se levantou e espanou os joelhos - nunca estivera ajoelhado. Seus joelhos não estavam sujos. Ela segurou as folhas com as duas mãos e com uma força que poderia ter rasgado todo o quarto, destruiu o pequeno conto do Ladrão de Poesias.
Respirou fundo. Nunca amara tanto alguém. O relógio marcava cinco e dez. Estava sozinha no quarto. E acabava de se tornar uma assassina.




Antes da primeira postagem

Antes do primeiro post, gostaria de dizer realmente estava procurando um lugar para dizer isso sem ter de escrever um pré-primeiro-post-oficial que todos os comentários são muito bem vindos e serão levados em conta para a melhoria dos contos.
Muito obrigada e espero que gostem =D

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Palavra da Editora... Ou não, quem sabe?

Escrever é um vício.
Duvida? Pode perguntar para qualquer um. Você pode não mostrar para ninguém, pode apagar tudo que escreve no Word (ou no seu editor de texto favorito que não o da Microsoft), pode queimar as folhas do seu caderninho de capa azul, mas se você algum dia começou a escrever, com certeza se viciou. 
E largar é difícil.
Pode crer, eu sei, eu já tentei. 
Pensando nisso, decidi começar meu bloguinho. 
Bloguinho porque ele é afetivo, bloguinho porque pretendo que ele cresça e bloguinho porque sei que o que vou colocar aqui ainda é pura imaturidade. Imaturidade que talvez um dia chegue à fase adulta - ou não, imaturidades podem ser divertidas. 
Então, para começar, só queria explicar o motivo do nome. 
Por que "Quarta Página", muitos podem perguntar. 
Sim, por quê? 
Pois bem, quando alguém pega um livro, o que faz?
Abre. Folheia. Cheira. Sente a textura do papel. Analisa a costura. Vê as cores... Depende muito. Varia de pessoa para pessoa. Mas o que é certeza é que sempre daremos uma olhadinha no que está escrito atrás, lá na quarta capa, do lado oposto do grande desenho brilhante e bonito ou não e que sempre parece dizer alguma coisa sobre a obra, o autor, o mundo. Sempre damos uma olhadinha, mesmo que seja só pra depois devolver o livro para a prateleira. 
E é isso que espero. Que, quem puder, dê pelo menos uma olhada rápida nesse meu bloguinho infantil. 
Pode não ter nada de útil, mas vai que você goste? 
Sonhar faz parte das imaturidades da vida.